Há algum tempo, o estilo old money estava em alta, trazendo um visual elegante, sem exageros ou ostentação.
Muitas pessoas adotaram essa estética, mas, como de costume, essa tendência durou pouco, sendo substituída pelo quiet luxury, que traz uma ideia semelhante.
Grandes marcas criam e fortalecem essas tendências. A Pantone, por exemplo, reforçou a estética minimalista com o lançamento da cor do ano, chamada Cloud Dancer. Trata-se da cor branca com um leve toque de cinza.
No entanto, o que mais parece influenciar as tendências atualmente são as redes sociais. Basta uma ideia começar a se destacar para que os algoritmos a transmitam para todo mundo.
Com o old money foi assim, a cada dez vídeos sobre moda masculina que apareciam para mim, sete eram sobre esse estilo. E olha que eu nunca gostei dessa estética. No entanto, o algoritmo continuava me mostrando isso.
Não gosto de tendências e tenho bons motivos para isso:
Tendências geralmente não consideram o todo
Muitas tendências são pensadas para grupos específicos de pessoas. Em outras palavras, elas não são adequadas para todos.
Por exemplo, existem tendências que podem ser ótimas para quem mora em uma cidade fria. No entanto, o mesmo conceito não funciona para quem, assim como eu, vive em um local que costuma ser quente.
Muitas tendências são pensadas para pessoas de classes sociais elevadas. Por exemplo, o old money surge como forma das famílias ricas tradicionais se diferenciarem dos novos-ricos. Antes, a ostentação era chique, mas ao adotá-la, os novos-ricos fizeram com que ostentar passasse a ser considerado brega.
Até a cor do ano, aquele branco acinzentado, foi criada pensando em classes sociais mais altas. Basta vermos o conceito por trás da criação, que traz aquela ideia do luxo discreto.
Além disso, quem lava as próprias roupas, sabe o quão difícil é manter peças brancas impecáveis. Essas peças exigem maior esforço de lavagem e, por isso, desgastam-se mais rapidamente. Tudo isso piora quando você não tem condições de comprar peças de melhor qualidade.
Muitas tendências são pensadas para grupos específicos de pessoas. Em outras palavras, elas não são adequadas para todos.
Tendências surgem e desaparecem rapidamente
Temos tendências específicas para cada estação do ano. Muitas delas não se mantêm nos anos seguintes. O que é tendência em um verão, pode não ser no próximo.
Para mim, isso é um problema. Roupas devem servir por muito tempo. As peças que compro não costumam se basear em modas passageiras. Desse modo, minhas roupas não saem de moda, seja qual for a tendência do momento.
Se tendências para cada estação são um problema, as coisas vêm piorando. Isso porque as tendências estão mudando ainda mais rápido. Muitas surgem e somem como músicas que ficam em alta por uma trend nas redes sociais, mas que, de repente, desaparecem sem deixar rastros.
Se você quiser se manter dentro delas, vai ter de atualizar o guarda-roupa constantemente.
Tendências nos fazem gastar muito dinheiro
Meu dinheiro vem de muito esforço e, por isso, dou muito valor a ele. Sempre compro roupas pensando no custo-benefício e na durabilidade das peças. Além disso, busco otimizar meu leque de visuais com poucas peças.
Já falei por aqui sobre como montar um guarda-roupa com poucas peças, mas que nos permite criar diversos looks estilosos para várias ocasiões. Uma ótima estratégia para quem quer ficar estiloso e economizar.
Quando compramos peças duráveis e “atemporais”, conseguimos usá-las por muito tempo. Se cuidarmos bem delas, elas podem nos acompanhar por anos. Isso é ótimo para o nosso estilo e para as nossas finanças.
Por outro lado, se você está sempre atualizando o guarda-roupa devido às novas tendências que vêm e vão em um piscar de olhos, vai gastar muito dinheiro. E nem adianta comprar peças muito baratas para compensar. No final, o gasto será alto. Sem falar nas questões ambientais. Afinal, as roupas descartadas não desaparecem, elas acabam parando em algum lugar.
Todo mundo está se vestindo de forma parecida
As pessoas estão se vestindo de forma cada vez mais parecida. Isso é um problema quando indivíduos com estilos de vida totalmente diferentes estão se vestindo da mesma maneira.
Embora isso não seja exclusivo de quem segue tendências, o problema piora ao segui-las, pois muitas delas estimulam isso.
Por exemplo, o estilo old money tem origem na aristocracia e está relacionado com as famílias ricas de berço. Não estamos falando de quem ficou rico há alguns anos, mas sim de famílias que possuem riqueza há séculos.
O crescimento recente desse estilo tem um motivo: diferenciação. Antes, a ostentação estava em alta, mas isso se tornou brega simplesmente porque os novos-ricos começaram a adotar essa estética.
Isso ocorre porque os novos-ricos carecem de capital cultural e, por isso, não são bem-vistos pela elite. Para se diferenciar, os tradicionalmente ricos resgataram o estilo old money, que transmite luxo sem ostentação.
Vale lembrar que o estilo old money está relacionado ao modo de vida dessas famílias ricas: pessoas que andam em carros luxuosos, jatinhos, iates e frequentam lugares que oferecem muito conforto.
Imagine pessoas de classes baixas empolgadas em se vestir dessa forma. Muitas não têm nem carro e precisam pegar ônibus para trabalhar. O estilo old money não serve, pois não foi pensado para essas rotinas. Muitas pessoas adotaram esse estilo para parecer ricas.
Muitos adotam tendências sem pensar nessas questões. Vestem-se sem considerar seu estilo de vida e gostos pessoais. Esse é um dos fatores que levam as pessoas a se vestirem de forma cada vez mais parecida.
Indivíduos com estilos de vida totalmente diferentes estão se vestindo da mesma maneira.
Você poderá atingir seu verdadeiro estilo
Quando paramos de viver seguindo tendências, ganhamos liberdade para escolher. Assim, podemos criar visuais mais adequados ao nosso gosto e estilo de vida.
Essa autenticidade está cada vez menos comum. No entanto, em muitos casos, é ela que torna tudo mais interessante.
Não estamos falando em vestir-se de forma totalmente diferente, mas em dar o seu toque pessoal a algum visual.
Falei aqui sobre alguns estilos masculinos. Você pode escolher algum para ser a base do seu visual e até mesclar estilos. Além disso, você pode, e deve, dar o seu toque pessoal.
Essa liberdade só alcançamos quando paramos de viver seguindo tendências.
Seguir tendências não é completamente ruim. O problema começa quando vivemos apegados a elas.
Tendências surgem e desaparecem rápido. Elas nos forçam a viver atualizando o guarda-roupa. Como consequência, gastamos mais dinheiro.
Além disso, as pessoas seguem cada vez mais tendências, influenciadas pelos algoritmos das redes sociais. Isso as faz vestir-se de forma muito parecida, ainda que tenham gostos e estilos de vida completamente diferentes.
Por fim, muitas tendências são pensadas para alguns grupos de pessoas. Então, dependendo da sua rotina, local onde vive e condição financeira, seguir essas estéticas é bastante difícil.
Apostar em roupas “atemporais”, que estão sempre na moda, é muito melhor que ficar seguindo tendências passageiras. Fazer isso é o primeiro e mais importante passo para você encontrar o seu verdadeiro estilo e se destacar no meio de uma multidão que se veste de forma parecida.
Imagem da capa: Freepik.


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